domingo, 1 de março de 2009

Alzheimer

Descia aquela avenidona, é eu sei, eu sei, já ta parecendo lorota, mas o problema é que eu sou pedestre, e pra falar a verdade, eu ando bastante, então as coisas sempre começam assim, talvez não, mas por grande maioria.

Não pensava em nada. Descia, e descia. Andava, e andava. Cantava e cantava. Eu gosto de cantar, e nem ligo se canto mal, todo mundo pensa que é uma mania besta, essa de não cantar só no chuveiro, mas eu gosto.E quando eu canto já percebi que os cachorros latem menos, ou vai ver eles estão já um tanto acostumados d’eu passar cantando em seus respectivos lares.

Todo mundo dizia que ela tinha alzheimer, os médicos diziam, apesar que o termo está na moda, assim como esclerose também já esteve, a questão é: a velhinha, que era avó da minha amiga, foi diagnosticada assim.

Estava lá,sentada na área, na cadeira de área, acho que também não estava pensando nada.

Foi quando o ápice, do alzaimer (meu deus, como se escreve mesmo?), do alzheimer dela cutucou tudo, e ela sorriu, e me reconheceu.

“ Péra”, pára tudo, uma velinha ,que é avó da minha amiga, que já não é tão minha amiga assim, que eu não vejo há um tantão de tempo, me reconheceu, e a distância, é, eu estava do outro lado da rua, e além do mais, ela lembrou meu nome. Juro,me comprimentou pelo nome.

Aí eu acenei,porquê eu que não tenho alzeimer nem nada, esqueço tudo, e esqueci o nome da velha, mas tudo bem, eu to tomando ômega 3.Espero que as coisas melhorem, afinal ano que vem tem vestibular de verdade, e eu vou precisar fazer muito mais do que 59 pontos na fuvest.

Voltando e puxando o fio da meada, que se perdeu em um parágrafo, e você caro leitor já deve estar cansado, e já deve ter se esquecido do que eu falava, a verdade é que você também tem alzheimer e não sabe, acho que é isso.

A verdade, que eu ia contar já ficou tão clara, que eu não quero mais contar, que coisa sem graça.

Eu tenho alzaimer, tu tens auzaimer, mas a velha não. Diabo de sistema de saúde.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008


-Se você me der uma carona, eu te dou uma trufa.
-Ahhhh, a tia deu a caixa de trufa pra mim.
-Deu nada, falou pra mim, que sou a dona, pra dar uma pra você.
-Você enche o saco em.
-Anda logo.Eu to atrasada.
-Você ta sempre atrasada.
Entramos no carro, acomodei,acomodou-se, abriu a trufa, e eu pensei – Ai,meu regime.- o chocolate,chocolate,trufa,huuuuuum.
- Ahhhhhhhhhhhhhh, você tá de brincadeira, né?
Olhou atônito pra mim, sem saber exatamente do que se tratava e o motivo da minha “brabeza”.
- O que?
-Não acredito que você fez isso!
- O que?
-Puta merda, o que é que eu já te falei sobre isso?
Cara atônita, de novo. Descascara trufa, e, e, e, jogou a merda do papel pela janela!
-Faz favor de pegar, o papel.
-Ahhhhhhhhh, quem ta de brincadeira é você.
-Não,to falando sério.
Risos.
-Pega!
-Não...
-Pegaaa!
-Tá bão, ta bão.
Abriu a porta contrariado, e pegou.
Ele não sabia que não estava simplesmente jogando o papel de trufa no chão, aquele papel miúdo, pra ele, era só aquilo. Pra mim não, implicava em higiene, respeito, esgoto entupido, plástico, alumínio que demoram séculos para se decomporem, e história do brazil, psicologia, e uma séria de textos que falavam sobre herança cultural. Que eu pegara , então, o costume de ler na Psique.
Mas eu não tinha tempo para explicar tudo aquilo, e ele , de certo, riria, eu estava atrasada.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Era tão engraçado quando eu não comia carne (não, eu não era vegetariana, acho esse termo um tanto complicado, ainda mais com todas aquelas subdivisões.) e eu ia almoçar na casa das minhas amiguinhas, e o almoço, era macarrão com molho de carne moida, bife, e etc etc.

-Não,tia, brigada,.....é , é... eu como pouquinho mesmo.

Comia poquinho o cacete, estava na minha época bolinha, em fim. Mas a verdade é que sempre gostei de desafios, e esse tinha sido outro, eu e meu pai, nos propusemos a parar de comer carne. E ponto. Paramos. A diferença é que ele ficou bem algumas semanas, e eu alguns meses.

Não obstante, essa foi só a primeira experiência. Esse ano, foram razões nobres, de verdade, parei de comer carne de vaca, (nunca comi de porco) porque a criação extensiva de gado contribuia em vinte por cento para o aquecimentoo global. Antes que você se pergunte por quê, é por causa do peido delas, ela liberam metano (CH4) [ é, as aulas do Hércules renderam bem esse ano. ] um hidrocarboneto saturado. Eu sei que a gente também peida, mas vaca peida mais. Estava de consciência leve. Estava fazendo a minha parte, mas ninguém, ninguém mesmo, se tornou adepto a minha prática.(soube uma vez pelo meu primo de um menino estranho que estudava engenharia na USP que também não comia carne por tal motivo)

Hoje em dia ser vegetariano, ou não comer carne, simplismente, é muito fácil, a gente pode fazer quibe com proteínas texturizada de soja, pode comer salsichas de ave, e hamburguer vegetariano, e muitas outras coisas.

Mas o heroísmo acabou, logo quando resolvi fazer uma cirurgia, e a médica falou - mas menina, sua proteína tá baixa, pode comer mais carne! - mas eu não como carne vermelha, doutora. -mas tem que comer.

E eu abandonei o heroísmo por peitos novos.

Carne é bom, e eu continuei comendo depois da cirurgia.

Parece um tanto mesquinho, eu sei, é engraçado, como eu usei meu próprio texto contra mim. Mas tudo bem, essa não é a questão.

É que de repente, a gente poderia simplismente comer carne de criação intensiva ( o que inclusive caiu na prova da unicamp ) ou de confinamento. Comer mais omega 3 e frango.

De repente reciclar, e perder a vergonha de andar de bicicleta. Plantar uma arvore. Ou duas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008


A velha vinha, ou era eu quem ia? , encurvada, o guarda sol na mão, com sua cara sofrida.
Estávamos na eminência de nos cruzarmos, apenas cruzarmos, como todas essas pessoas que passam todos esses dias, a toda hora por entre nossas dinâmicas, que não fazem diferença.
Parou. Me olhou, dirigiu-se por fim a mim, a esta altura eu estava em dúvida se deveria continuar ou não, e me perguntou com sua dentadura:
-Que rua é essa que a gente ta?
-Orensy Rodrigues da Silva.
-Ahhhhhh, então é nessa rua aqui que eu moro.
Devia de ter seus setenta anos, e eu fiquei com medo de ficar velha, de não saber me localizar, usar dentadura. Fiquei assustada, não queria estar ali, talvez eu tivesse que acompanha - lá até sua casa.
-É nessa rua aqui que tem a tv a cabo?
Estava paralisada, o pensamento já não fluía, era agora eu quem perdia o senso geográfico, e pensei por uns cinco segundos para poder responder.
-É sim, senhora.
-É que eu moro do lado da pizzaria, a pizzaria é nessa rua aqui não é?
E eu encolhia mais ainda os ombros; a carência da velhice deve ser realmente a pior. É a etapa da vida que as pessoas mais querem falar, de suas estórias, experiências, minha vó mesmo me contava a mesma história uma porção de vezes. Não obstante, os adultos, que já perderam sua juventude, mas que ainda não velhos, estão sempre muito ocupados, e não querem escutar, as banalidades, e gaguices; os netos ocupados com os namorados, com toda sua energia , porém não o suficiente para gasta-las com os idosos, exige paciência, uma voz aguda, e paciência. Esses ainda vão estar ocupados de mais quando adultos, e um dia vão ficar tão velhos quanto, promete a biomedicina. A verdade é que os velhos são solitários, tanto quanto as crianças de hoje em dia, essas que os pais deixam em casa com as babás para poder comprar o novo playstation 12.
Ninguém quer ser velho, e ninguém quer ter um velho em casa, é piegas de mais, como isso é triste;não quer cuidar.

Todo mundo quer uma criança em casa, com toda sua vitalidade, todo mundo quer voltar a ser criança, a falta de responsabilidade; ter uma para não cuidar.
O problema não são os velhos, na verdade, é o estar a cerca da morte,não saber ligar com ela, e é verdade que os velhos logo lembram ela. Esquecem tudo, as chaves, os sapatos, as roupas. Mas sempre lembram a morte.
-É sim, é nessa rua aqui mesmo.
Murmurou um agradecimento.

sábado, 2 de agosto de 2008

Jovens em maus lençóis


Ao despertar dos hormônios, em simultaniedade com curiosidades e inseguraçãs, os adolescentes podem ficar frustrados com a própria sexualidade, ora pela carência de informações, tabus absurdos, e ainda mais a falta de maturidade, não admitida, ao lidas com o próprio corpo e falta de firmeza ao adotar uma posição pessoal.

A sexualidade é muito discutida entre jovens , e pouco entre jovens e adultos capacitados; ao se tirarem dúvidas com amigos , muitas vezes não esclarecidos suficientemente,adota-se conceitos equivocados, sobre métodos preventivos, o momento correto para se iniciar a vida sexual, e a orientação sexual que se pode seguir.Alguns gostariam do anonimato.

A grande maioria dos jovens são facilmente persuadidos, reproduzindo costumeiramente comportamentos do grupo, o que é antagônico à sua individualidade; a mídia, as revistas "teen", os neurônios espelhos não podem ser barrados também, o que os leva à banalização tanto do sexo quanto da sexualidade.

Os programas de orientação sexual devem levar os jovens ao auto questionamento, como o respeito com o próprio corpo e com o parceiro, possíveis consequências,qaunto isso vai influenciar sua vida, desenvolver vontades próprias, não se deixando levar por pressão ou preconceitos.

Pisa-se em chão de vidro, ao descutir e levar conhecientos sexuais para jovens, muitas questões básicas ficam subentendidas, e alguns se reprimem com o assunto, somando os puritanos dos pais todavía, esse assunto deve ser descutido, questionado, pesquisado, para melhor conforto psíquico-físico juvenil.

és o sol a me rutilar,que és tempestade,sim,é verdade que me faz chorar.

Quando um copo vazio,que não mata a minha sede de saudade,

mas é sineiro da minha alegria,e se pudesse,tocava sem parar.

são seus trigas,que não me canso de contemplar,dos cachos dourados que venho a falar.

é uma nuvem branca em cima do gramado verde,com gosto de algodão doce.

a fumaceira branca,com sabor de menta,que me mata,sem que eu perceba.

é o preto,no arco ires,incomum,nos olhos de quem é ordinário.

é minha sorte,guardada na carteira,quem sabe em forma de fotos,

no meu coração,em forma de pulsar.

é um receber sem obrigação de dar.

um mel humilde,que se diz apenas melaço de cana.

Cana dos alcools,alcool das canas,a nos embebedar,

e a transbordar,com embriagues.

é rítmico,com o rock,e é da bossa nova,nos embala,

nos faz cantar sem pensar.

me faz poetisa,aqui nessa,a o rimar,pintar,rabiscar,

afinal,não há como replicar.

uma caixa de pandora,onde não se tem o que colocar,nem tirar.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Os cinco estágios da perda

1º Vem a negação, você balança a cabeça, olhando pro nada, se perguntando se tudo não é só mais uma brincadeira de mau gosto. Ri de nervoso, coça a cabeça, morde os lábios em sinal de nervoso. A qualquer hora você vai chacoalhar a pessoa pra ver se ela acorda, vai abraça – lá, mas gélida esta te repele, você chora implorando misericórdia,faz apelos,lhe negam as esperanças,e contam mentiras de como foi bom, lhe dizem amarga que não é a morte,é só o fim de um relacionamento.
Então,copos de wisky se quebram na parede,a vermelhidão lhe cobre a face,a raiva,o 2º estágio,lhe toma o corpo,habita a alma,da boca saem as palavras sujas e rancorosas,você se sente humilhado,grita,e odeia,faz planos de vingança, afirma certo,quão egoísta a pessoa é, jura não poder nunca mais gostar,cuidar,cativar. As fotos rasgadas,as cartas queimadas,os perfumes evaporam somados à agressão.
As barganhas são mais diferenciadas,tendo superado a negação e percebendo que a raiva não vai curar nada,há quem negocie em segredo com deus,algumas pessoas convidam quem tanto desejam esquecer pra tomar um café,conversar,saber como as coisas estão,martírio;outrora a troca de valores é comum, a busca de um novo relacionamento,ou de vários simultâneos,para que se possa esquecer a pessoa adorada.Infrutífero,mas de praxe,afinal esse é o 3º estágio.
A dor,ao perceber que novidades talvez não sejam tão extasiantes assim, que algumas distrações são meras enganações. Entra-se no 4º estágio,a depressão.Experimenta-se o desespero,noites mal dormidas,sentes uma lacuna,flagelo carnal e espectral,aceita-se a perda, com condolência. O desinteresse por si próprio,o desânimo,a carência,a falta,luto.
Acordando de manhã,a cama vazia,não é que você se sinta confortável,ninguém anseia tanto por mudanças assim,mas aceitasse,abres os olhos e vê as coisas como elas são.É o bom senso.É o quinto estágio,a aceitação.